terça-feira, 5 de outubro de 2010
BÍBLIA: LER O TEXTO DENTRO DO CONTEXTO - DENIS DUARTE
Bíblia: ler o texto dentro do contexto
A proposta desse artigo é entendermos melhor uma regra de ouro da literatura, qualquer que seja ela: ler o texto dentro do seu contexto. Isso significa vê-lo também como produto de pessoas diferentes e de épocas também diferentes.
Muitas vezes, nos sentimos desencorajados com determinados textos bíblicos por não conseguirmos entendê-los. Quem nunca leu uma passagem bíblica e não apreendeu quase nada do que estava escrito ali? Quem nunca deparou com conceitos muito complicados e muito distantes daquilo que entendemos e vivemos hoje?
Isso acontece porque cada um dos livros da Sagrada Escritura faz parte de um contexto mais amplo, cujos textos foram escritos numa época muito distante da nossa. Dessa forma, a leitura se torna um pouco mais complexa e, não raras vezes, incompreensível, em virtude de uma distância temporal, linguística e cultural existente entre a redação do texto bíblico e a leitura e a interpretação que fazemos hoje.
E por isso chamamos a atenção para a necessidade de uma leitura mais cuidadosa e não tão rápida e superficial, para que não ocorra uma interpretação equivocada e arriscada. Porque é natural entendermos o que lemos a partir de conceitos e da ideia que temos do mundo moderno em que vivemos, esquecendo-nos de que a Bíblia é formada por textos antigos, construídos num mundo diferente do nosso.
Dessa maneira, precisamos buscar o máximo de informações sobre o texto que iremos estudar. Tudo que o cerca, de modo especial o período em que foi escrito e qual contexto histórico que o influencia. Quanto mais informações tivermos a respeito dele [texto], tanto mais poderemos nos guiar pela regra literária citada no começo deste artigo: ler o texto dentro do contexto.
Mas como podemos saber mais sobre a época em que os textos bíblicos foram compostos e sob quais condições se deu esse processo de redação do texto que vamos ler?
É fácil. Basta consultarmos as nossas próprias Bíblias, pois elas nos fornecem essas informações. Precisamos conferir as introduções apresentadas antes de cada livro bíblico. Assim acontece, por exemplo, nas traduções da Bíblia, como a versão da TEB, da Bíblia Jerusalém e do Peregrino. Ou ainda, como na tradução da Bíblia Ave-Maria que traz logo na sua abertura um comentário sobre cada um dos livros bíblicos.
Essas introduções são muito importantes, pois nos dão informações preciosas a respeito do livro que vamos ler, informações estas muito úteis e práticas a respeito do período de composição do texto, sobre o contexto histórico no qual se deu essa redação, a qual grupo esse texto foi primeiramente dirigido, quem o redigiu, entre outros.
Caso tenhamos acesso a fontes confiáveis que podem, da mesma maneira e talvez de forma mais completa, nos fornecer essas informações, podemos e devemos utilizá-las, pois, como dissemos anteriormente, quanto mais informações temos do texto, tanto maior será nossa segurança de que o leremos dentro do contexto, evitando erros e equívocos. Mas, lembre-se: é importante que conheçamos bem essa literatura secundária utilizada para não consultarmos uma bibliografia que possa nos levar ao erro.
Um alerta aos que fazem uso da internet: muito cuidado ao buscar essas informações nesse espaço virtual. Não tenho nada contra a rede mundial de computadores; muito pelo contrário, sou usuário e a vejo como um facilitador da vida cotidiana. Mas, infelizmente, em se tratando de estudos bíblicos, a grande maioria das coisas que encontro nela possui muitos erros ou está ligada a outra doutrina diferente da católica.
Outro recurso apresentado pelas Bíblias, que além de nos auxiliar na compreensão dos textos, também nos fornece informações importantes sobre o conteúdo do que lemos são as notas de rodapé. Essas observações são muito valiosas porque são explicativas e por meio delas nos esclarecidas questões ligadas à língua, à geografia, à cultura, entre tantas outras coisas que facilitam o nosso entendimento deles. Muitos as ignoram, justamente por serem pequeninas, às vezes é difícil enxergá-las, mas elas estão ali para servir de auxílio para que o texto se torne mais acessível a nós que estamos distantes temporal, cultural e linguisticamente dos textos bíblicos.
Enfim, é necessário fazer uso desses recursos presentes nas nossas Bíblias, assim como das introduções nos livros e das notas de rodapé. Esses recursos fazem, de certo modo, parte da leitura e não podemos ignorá-los. A Igreja, e nossos tradutores, conhecem as distâncias entre nós e o texto e, consequentemente, sabem do risco de uma leitura fora de contexto. Ou seja, informações presentes na própria Bíblia, ainda que não sejam o texto bíblico propriamente dito, são não apenas importantes, mas necessárias para uma leitura da Palavra de Deus sem equívocos e que permita, verdadeiramente, nosso encontro com o sagrado.
Denis Duarte
A proposta desse artigo é entendermos melhor uma regra de ouro da literatura, qualquer que seja ela: ler o texto dentro do seu contexto. Isso significa vê-lo também como produto de pessoas diferentes e de épocas também diferentes.
Muitas vezes, nos sentimos desencorajados com determinados textos bíblicos por não conseguirmos entendê-los. Quem nunca leu uma passagem bíblica e não apreendeu quase nada do que estava escrito ali? Quem nunca deparou com conceitos muito complicados e muito distantes daquilo que entendemos e vivemos hoje?
Isso acontece porque cada um dos livros da Sagrada Escritura faz parte de um contexto mais amplo, cujos textos foram escritos numa época muito distante da nossa. Dessa forma, a leitura se torna um pouco mais complexa e, não raras vezes, incompreensível, em virtude de uma distância temporal, linguística e cultural existente entre a redação do texto bíblico e a leitura e a interpretação que fazemos hoje.
E por isso chamamos a atenção para a necessidade de uma leitura mais cuidadosa e não tão rápida e superficial, para que não ocorra uma interpretação equivocada e arriscada. Porque é natural entendermos o que lemos a partir de conceitos e da ideia que temos do mundo moderno em que vivemos, esquecendo-nos de que a Bíblia é formada por textos antigos, construídos num mundo diferente do nosso.
Dessa maneira, precisamos buscar o máximo de informações sobre o texto que iremos estudar. Tudo que o cerca, de modo especial o período em que foi escrito e qual contexto histórico que o influencia. Quanto mais informações tivermos a respeito dele [texto], tanto mais poderemos nos guiar pela regra literária citada no começo deste artigo: ler o texto dentro do contexto.
Mas como podemos saber mais sobre a época em que os textos bíblicos foram compostos e sob quais condições se deu esse processo de redação do texto que vamos ler?
É fácil. Basta consultarmos as nossas próprias Bíblias, pois elas nos fornecem essas informações. Precisamos conferir as introduções apresentadas antes de cada livro bíblico. Assim acontece, por exemplo, nas traduções da Bíblia, como a versão da TEB, da Bíblia Jerusalém e do Peregrino. Ou ainda, como na tradução da Bíblia Ave-Maria que traz logo na sua abertura um comentário sobre cada um dos livros bíblicos.
Essas introduções são muito importantes, pois nos dão informações preciosas a respeito do livro que vamos ler, informações estas muito úteis e práticas a respeito do período de composição do texto, sobre o contexto histórico no qual se deu essa redação, a qual grupo esse texto foi primeiramente dirigido, quem o redigiu, entre outros.
Caso tenhamos acesso a fontes confiáveis que podem, da mesma maneira e talvez de forma mais completa, nos fornecer essas informações, podemos e devemos utilizá-las, pois, como dissemos anteriormente, quanto mais informações temos do texto, tanto maior será nossa segurança de que o leremos dentro do contexto, evitando erros e equívocos. Mas, lembre-se: é importante que conheçamos bem essa literatura secundária utilizada para não consultarmos uma bibliografia que possa nos levar ao erro.
Um alerta aos que fazem uso da internet: muito cuidado ao buscar essas informações nesse espaço virtual. Não tenho nada contra a rede mundial de computadores; muito pelo contrário, sou usuário e a vejo como um facilitador da vida cotidiana. Mas, infelizmente, em se tratando de estudos bíblicos, a grande maioria das coisas que encontro nela possui muitos erros ou está ligada a outra doutrina diferente da católica.
Outro recurso apresentado pelas Bíblias, que além de nos auxiliar na compreensão dos textos, também nos fornece informações importantes sobre o conteúdo do que lemos são as notas de rodapé. Essas observações são muito valiosas porque são explicativas e por meio delas nos esclarecidas questões ligadas à língua, à geografia, à cultura, entre tantas outras coisas que facilitam o nosso entendimento deles. Muitos as ignoram, justamente por serem pequeninas, às vezes é difícil enxergá-las, mas elas estão ali para servir de auxílio para que o texto se torne mais acessível a nós que estamos distantes temporal, cultural e linguisticamente dos textos bíblicos.
Enfim, é necessário fazer uso desses recursos presentes nas nossas Bíblias, assim como das introduções nos livros e das notas de rodapé. Esses recursos fazem, de certo modo, parte da leitura e não podemos ignorá-los. A Igreja, e nossos tradutores, conhecem as distâncias entre nós e o texto e, consequentemente, sabem do risco de uma leitura fora de contexto. Ou seja, informações presentes na própria Bíblia, ainda que não sejam o texto bíblico propriamente dito, são não apenas importantes, mas necessárias para uma leitura da Palavra de Deus sem equívocos e que permita, verdadeiramente, nosso encontro com o sagrado.
Denis Duarte
OUTUBRO MÊS DAS MISSÕES
Missões a partir da Conferência de Aparecida
Que o mês de outubro é o mês missionário não é novidade. A novidade é que a partir da Conferência Episcopal da América Latina, em Aparecida (SP, 2007), o espírito missionário tornou-se mais real, urgente e comprometedor para toda a Igreja. É preciso que todos evangelizem e sejam evangelizados. Sejam discípulos missionários.
A palavra chave do Documento de Aparecida é MISSÃO. Já o lema da Conferência diz: “Discípulos e missionários de Jesus Cristo para que nele nossos povos tenham vida”. O documento está cheio de interpelações e chamamentos que mexem, sacodem e provocam um grande “vendaval do Espírito”, como aconteceu na primeira comunidade cristã de Jerusalém, no dia de Pentecostes (At 2,1-13).
Aparecida convida toda a Igreja a orientar-se, com decisão e urgência, para a missão. Seus bens, estruturas, recursos, pessoas e pastorais devem estar voltados para a missão. É uma tarefa gigantesca e apaixonante. Todo povo de Deus é chamado a ser discípulo missionário de Jesus Cristo, cada um no serviço específico que escolheu ou que lhe foi confiado (leigos, padres, bispos, operários, lavradores, empresários...).
O perigo é fazer missão de qualquer jeito e sem clareza de objetivos. Por isso, o Documento lembra que a motivação principal da missão está na comunhão trinitária: “A Igreja é missionária por sua natureza, porque tem sua origem na missão do Filho e do Espírito Santo, segundo o desígnio do Pai” (DA 347). Esta comunhão deixou de existir uma vez que as relações de fraternidade entre as pessoas e com a natureza foram destruídas. O testemunho cristão está perdendo forças e a Igreja se sente despreparada para enfrentar os desafios da modernidade. Os cristãos não mais são capazes de “dar as razões da sua fé” em meio a uma sociedade secularizada onde os valores se tornam relativos e o destaque fica por conta do gozo momentâneo.
Por estas e tantas outras razões percebemos que a Missão não é uma tarefa opcional, mas parte integrante da identidade cristã. Ela é uma necessidade e uma urgência permanente: “Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho “(1 Cor 9,16).
O grande objetivo das Missões é ajudar os cristãos a serem discípulos missionários de Jesus Cristo, proclamando a Boa Nova da dignidade humana, da vida, da família, do trabalho, da ciência e da solidariedade com a criação. Os sujeitos da missão são todos os batizados, uma vez que discipulado e missão são como as duas faces da mesma moeda. Os destinatários são todos os povos, desde as pessoas que moram perto até os que vivem nos países mais distantes.
Espero que estas considerações sobre as missões feitas no início do mês de outubro, favoreçam e despertem um verdadeiro espírito missionário. Que todos sejamos discípulos missionários de Nosso Senhor Jesus Cristo, para que Nele todos os povos tenham vida e vida em abundância (Jo 10,10).
Dom Canísio Klaus
Que o mês de outubro é o mês missionário não é novidade. A novidade é que a partir da Conferência Episcopal da América Latina, em Aparecida (SP, 2007), o espírito missionário tornou-se mais real, urgente e comprometedor para toda a Igreja. É preciso que todos evangelizem e sejam evangelizados. Sejam discípulos missionários.
A palavra chave do Documento de Aparecida é MISSÃO. Já o lema da Conferência diz: “Discípulos e missionários de Jesus Cristo para que nele nossos povos tenham vida”. O documento está cheio de interpelações e chamamentos que mexem, sacodem e provocam um grande “vendaval do Espírito”, como aconteceu na primeira comunidade cristã de Jerusalém, no dia de Pentecostes (At 2,1-13).
Aparecida convida toda a Igreja a orientar-se, com decisão e urgência, para a missão. Seus bens, estruturas, recursos, pessoas e pastorais devem estar voltados para a missão. É uma tarefa gigantesca e apaixonante. Todo povo de Deus é chamado a ser discípulo missionário de Jesus Cristo, cada um no serviço específico que escolheu ou que lhe foi confiado (leigos, padres, bispos, operários, lavradores, empresários...).
O perigo é fazer missão de qualquer jeito e sem clareza de objetivos. Por isso, o Documento lembra que a motivação principal da missão está na comunhão trinitária: “A Igreja é missionária por sua natureza, porque tem sua origem na missão do Filho e do Espírito Santo, segundo o desígnio do Pai” (DA 347). Esta comunhão deixou de existir uma vez que as relações de fraternidade entre as pessoas e com a natureza foram destruídas. O testemunho cristão está perdendo forças e a Igreja se sente despreparada para enfrentar os desafios da modernidade. Os cristãos não mais são capazes de “dar as razões da sua fé” em meio a uma sociedade secularizada onde os valores se tornam relativos e o destaque fica por conta do gozo momentâneo.
Por estas e tantas outras razões percebemos que a Missão não é uma tarefa opcional, mas parte integrante da identidade cristã. Ela é uma necessidade e uma urgência permanente: “Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho “(1 Cor 9,16).
O grande objetivo das Missões é ajudar os cristãos a serem discípulos missionários de Jesus Cristo, proclamando a Boa Nova da dignidade humana, da vida, da família, do trabalho, da ciência e da solidariedade com a criação. Os sujeitos da missão são todos os batizados, uma vez que discipulado e missão são como as duas faces da mesma moeda. Os destinatários são todos os povos, desde as pessoas que moram perto até os que vivem nos países mais distantes.
Espero que estas considerações sobre as missões feitas no início do mês de outubro, favoreçam e despertem um verdadeiro espírito missionário. Que todos sejamos discípulos missionários de Nosso Senhor Jesus Cristo, para que Nele todos os povos tenham vida e vida em abundância (Jo 10,10).
Dom Canísio Klaus
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